A Corajosa Loucura

O que é a coragem? O que faz a coragem? Segundo Nelson Mandela “a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista por cima do medo. “

A verdade e, aquilo que ninguém dúvida é que a coragem é a principal característica de um herói. Os heróis arriscam a vida para salvar outros e executam gestos inimagináveis quando, qualquer comum mortal, acharia que a guerra já estava perdida. Um herói enfrenta, um herói não desiste, seja o que for que o espera no fim da jornada. Isso faz dele um louco? Alguém que não se importa com o futuro, que não valoriza a própria vida? Ou alguém que valoriza demais a vida dos outros? Um idealista que quer mudar o mundo ou alguém extremamente racional que sabe que uma vida perdida é melhor que várias?

Segundo o meu querido, Erasmo de Rotterdam, nascido a 28 de Outubro de 1466, em Rotterdam, claro está: “A loucura é a origem das façanhas de todos os heróis”. Mas, primeiramente, vamos conhecer um pouco este fascinante humanista holandês.

Erasmo era filho ilegítimo de um padre, foi para o seminário e tornou-se monge. Mas desengane-se quem ache que, Erasmo, era um cínico católico como os outros do seu tempo. Erasmo criticava afincadamente o dogma católico e a imoralidade do clero. Como é óbvio, esta posição não agradava à igreja. No entanto, Erasmo não era facilmente derrubável, era forte e tolerante e, ao invés de o tentarem afastar da igreja, foram-lhe oferecidos diversos cargos de poder. Erasmo recusou todos.

Entre as suas obras mais célebres está o Elogio da Loucura, onde defendia a tolerância e a liberdade de pensamento e criticava a Igreja. Um louco ou um homem corajoso? Ambos, diria. Cada herói tem tanto de louco como de corajoso, não fosse a coragem uma total loucura.

Imaginemos esta cena: um autocarro está à beira de cair num precipício. És uma pessoa atlética e capaz. Isto deixa-te com duas hipóteses: saltar da janela e salvar a pele (ou a vida, já que a pele talvez não ficasse em muito bom estado) ou tentar de alguma forma, parar o autocarro?

Vejamos os pensamentos por detrás de ambas as acções. Se saltares do autocarro é uma vida ganha em vez de todas perdidas já que, o autocarro está prestes a despenhar-se e não há nada que se possa fazer para o evitar. Este é o pensamento do comum dos mortais. Na segunda hipótese, porém, o pensamento foca-se na possibilidade de salvar toda a população daquele autocarro: se ficares e tentares pará-lo, todos sobreviverão. Este é o pensamento do herói. O herói sabe que se falhar todos morrerão, inclusive ele próprio, mas ele está determinado a fazer aquele 1% acontecer. Ele é louco o suficiente para acreditar em 1% e apostar nele a sua vida. Ele é louco porque acredita e afasta de si o poder do medo, humilha o medo e as percentagens feitas por matemáticos racionais.

Um herói é corajoso e louco o suficiente para acreditar com toda a sua alma. Ah, a loucura! O que seria da vida sem um pouco de loucura…

Pequena Grande Maldita C

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