Conhecer a PGM C

PGMC

 

 

Em primeiro lugar, bem vindo sejas tu à Esfera Maldita.

É verdade, os Pequenos Grandes Malditos percorrem a Esfera unidos, sem grande orientação. Viajamos com lupas e observamos, somos todos observadores, uma tríade que se reúne para tirar as teimas entre aquilo que observamos, aquilo que poderá ser obra exclusiva da nossa ilusão e o que pode ser filtrado e reduzido a factos. Uns aparecem para dar a cor e a atitude, outros teimosamente oferecem imagens distorcidas, cuspidas em verdades dementes. Outros, como a PGM C relatam a visão do forasteiro, que vagueia sozinho, quase invisível, tecendo monólogos interiores. Esta forasteira diz-nos o que já sabemos e já sentimos, embora seja ela a dizer-nos que assim o é e leva-nos a questionar porque raio não o assumimos antes dela. É uma afronta à nossa capacidade de nos absolvermos, impunes, do que nos rodeia. Também ela uma fugitiva não divaga, reconhece e coloca de forma transparente as falhas da sua indiferença.

Eu gosto desta PGM C. Tenho-lhe grande estima por assumir a sua natureza esquiva e me permitir perceber a libertação através da eloquência, quando é ela mesma nos seus dias prisioneira da avareza do silêncio.

Tem alma de filósofo, busca a última peça do mundo, por caminhos para uns obscuros, para outros claros como água, numa passividade monumental. Encara-nos de frente, parada no meio da multidão, observando-nos como um deus enfadado.

Não me admirava que fosse levada a passear pelo vento, como uma pena ou folha caída, é leve, feita de ar e fumo. Pesa-lhe apenas o pensamento.

As palavras por ela escolhidas são marcas de unhas na pele. Não deixo de a imaginar revestida de cimento, escrevendo-nos no peito com o dedo, sentindo apenas um sopro no ouvido. Enganadora, subestimamo-la embarcando nas histórias nuas e cruas, até ser tarde demais e nos incomodar o rasto cinzento que nos deixou.

Ela mesmo acredita no eixo do bem e do mal, desempenhando tantas e quantas vezes a mediação entre dois ímpetos desmesurados da Esfera.

Assim se cumpre o meu desejo de vos apresentar a PGM C.

A ti: que comece agora uma leitura mais intimista da desmistificadora. Agrade sempre que te sentires mais… incomodado.

 

Vosso,

PGM J