Desafio: Crónica de Género

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Estamos longe de ser um país igualitário. O mundo está longe de qualquer igualdade no que se refere ao género.

Género: masculino ou feminino – classificam-nos logo à nascença. A partir daí estamos marcados, como gado, para sempre. Cor-de-rosa para as meninas, azul para os meninos, bonecas para as meninas, carrinhos para os meninos.

Moldam-nos, para encaixarmos na sociedade existente onde só cabe sofrimento e discriminação ao género feminino e se mente o tempo todo, a tentar mostrar que essa discriminação já não existe ou já não é importante. Dizem-nos que as mulheres já estudam, já votam, já têm carreiras de sucesso. Que mais poderíamos querer? Respeito. Falta o respeito, meus caros. Respeito e liberdade.

Dão-nos nenucos para aprendermos a cuidar dos filhos, como se os filhos fossem só nossos, como se a obrigação fosse só nossa. E barbies com belos vestidos para ficarmos sempre bonitas para os futuros maridos. E somos assim traídos pela nossa própria família. E carros e bonecos de guerra aos meninos para aprenderem a serem bestas fúteis mas continuarem a achar que são fortes e imbatíveis.

Dizem-nos para sermos discretas, para termos medo. E temos realmente do que ter medo. O mundo não é feito para as mulheres. Não é seguro andar na rua, não é seguro sair com uma amiga, não é seguro beber demais, não é seguro vestir roupa curta ou decotada. O mundo é um constante estado de alerta para as mulheres. E não só entre homens. Muitos dos seres mais machistas são mulheres.

Ensinam-nos que o mundo é assim e pronto. As mulheres são frágeis e os homens não choram. E toda a gente acredita. Mesmo que argumente veementemente o contrário. Porque está lá implantado desde a lavagem cerebral que nos vão fazendo desde nascença. Então é mais ou menos nisso que nos tornamos mesmo, ainda que uns mais e outros menos. Não temos direito de escolha, está lá, em tudo o que nós fazemos ou pensamos.

Acho especial piada de uma maneira bem triste aos homens que dizem não ser machistas. E depois são capazes de dizer que as mulheres usam decotes para os homens olharem e têm amigos que exibem conquistas e traições. Exibem porque têm para quem exibir. Assim, simples. E quem os ouve é tão machista quanto eles com a agravante de ainda nem terem chegado a um estado de autoconsciência. É como as mulheres que dizem que esta ou aquela é uma “vadia” ou coisas piores. Triste da mesma forma. Mas no caso delas, elas são vítimas e algozes. O sofrimento desta psicopatia social cabe maioritariamente às mulheres.

“Os homens são de Marte e as mulheres são de Vénus”. Não são, mas tornam-se inevitavelmente já que são criados para serem opostos e o homem quase treinado para rir e evitar o suposto sentimentalismo feminino. Consequentemente, com tantas coisas que os separam, homens e mulheres nunca serão felizes juntos. E a taxa de divórcio cada vez maior existe para o comprovar.

PGM C